O Dom de Conquistar

Em um meio de pessoas carentes, o que mais escuto dos clientes é sobre experiências ruins com outras garotas de programas. Penso muito sobre isso, pois não consigo ver o porquê tratar mal alguém que pode voltar e ser seu ganha pão de todos os dias.

 

Eu trato muito bem todos que saem comigo. Costumo ter um papo bacana antes do programa, mesmo que este papo demore 1, 2 horas. Costumo me aproximar dos homens como uma menina de balada, sendo simpática e conversando, de repente pegando na mão, daqui a pouco na perna, daqui a pouco dando uma cheiradinha no cangote, fazendo o que o homem geralmente procura… mostrar a ele que é um homem atraente, agradável, simpático e que pode conquistar uma garota com estas qualidades.

 

Não gosto de chegar me oferecendo e mostrando os seios ou a bunda de cara, pois me sentir tão objeto não me faz bem, e acho que o estilo namoradinha vende mais, o sexo geralmente é bem melhor depois que vc conhece um pouco o outro.

 

Como converso com alguns homens durante o dia, o roteiro de conversas do dia é feito no primeiro cliente. O assunto do dia é sobre “A cidade de São Paulo e sua falta de características”, ”A história da sua família”, “O relacionamento com sua família”, “ As mulheres de sua vida”… e assim vai. Desenvolvo a conversa com o primeiro, e toco nos mesmos assuntos com todos os próximos.

 

Depois de toda a conquista, lá vem o sexo. Geralmente, quando tudo anda conforme o roteiro o sexo é muito bom.  Entramos no quarto, ligo o rádio, chego no cliente e dou um beijo avassalador, pergunto se quer tomar uma ducha para ficarmos mais relaxados. Dou mais um beijo, desço para o pescoço e pego no pênis, que estas horas geralmente está duro como pedra. Abro sua calça, tiro o pau para fora, levanto o vestido e rebolo com o bumbum no seu pau como se pedisse: vem, me come de uma vez. Esta hora tenho que leva-lo imediatamente pro banho. No banho digo que vou dar um banho nele, pego o sabonete e lavo detalhadamente todas as partes que vou usar. Aproveito para analisar disfarçadamente o pênis para ver se possui manchas, feridas, bolhas, verrugas, ou se possui algum cheiro fora do normal. Faço tudo isso olhando como se tivesse fissurada por seu pênis “grosso, lindo, grande e gostoso”, então normalmente não percebem a real idéia do negócio.

 

Se o pênis for reprovado, saímos do banho, começo a beijar e coloco camisinha. Se for aprovado, começo beijando suas bolas, beijo, passo a língua, chupo, vou subindo chupando o pau até a cabeça. Faço um oral caprichado, e geralmente os homens pedem trégua neste momento e vamos para a cama.

 

Na cama é um pouco imprevisível, pois depende muito do estilo de homem. Se o homem já corre e deita na cama é porque gosta de ser dominado. Se ele me pega e joga na cama, é pq gosta de ser dominador. Se lavou bem datalhadamente o traseiro na hora do banho, é porque preciso continuar o oral e dar uma dedada lá atrás.

 

Depois do sexo vem a parte mais difícil, a parte de “me dá seu telefone”, “vamos para fortaleza semana que vem comigo”, “vamos passar o fim de semana na fazenda”, “então, quando você conhecer meus filhos vai entender…”. Percebeu o que é difícil?

 

Difícil é não poder olhar para o cara e falar: “Você não percebe que sou uma garota de programa e estou aqui para te fazer ter um momento feliz, te fazer sentir desejado, bom de cama, te deixar louco, receber o dinheiro e te ver todas as vezes que voltar nesta boate?”

 

Não sabia que tinha este Dom até esta fase da minha vida. E é o Dom que me ajuda a ser boa no que faço.

A parte que esqueci: Família Feliz

A maioria das garotas que vejo estão em uma busca constante… por dinheiro, por drogas, por um homem que a faça feliz mesmo que ele seja um lixo, por felicidade, por uma casa etc.

Como todos sabem eu busco dinheiro, justamente para manter o resto em equilíbrio. Nos últimos dias não postei pois meu filho estava de férias, e resolvi passar os dias com ele e meu noivo… os dias de família feliz. Cada vez mais vejo que é só disso que preciso, da convivência com as pessoas que eu amo, de ver que meu filho é extremamente companheiro e que está feliz de estar comigo. Preciso do meu noivo do meu lado, pois ficar longe e não poder falar sobre minhas angústias, sobre meus medos é muito difícil, pois eles são tudo que tenho de verdade.

Gosto muito dessa história de família feliz, gosto de rotina, valorizo muito isso, e são coisas que aprendi com a minha profissão.

KS

Repetindo: ESTE NÃO É O BLOG DA BRUNA SURFISTINHA

Vamos lá meus leitores (os quais não sei quem são, uma vez que faço o blog para mim mesma e para as meninas que pedem dicas de lugares para ganhar mais uma graninha):

ESTE NÃO É O BLOG DA BRUNA SURFISTINHA!

Ou seja, vocês não vão me ver escrever sobre meus programas diariamente, não vão me ver dando nota para os meus clientes, muito menos escrevendo tudo o que eu já falo no ouvido dos meus clientes o dia inteiro, porque não é isso que eu quero! Eu quero um lugar para desabafar, para me expressar, para mostrar pra alguém (mesmo que seja eu mesma) o que eu sinto, uma vez que não posso fazer isso no dia a dia. Se você não se agradar, não precisa ler e ponto final.

É lógico que quando eu tiver um tempinho e estiver animada vou escrever sobre algumas situações sexuais que tive, porém se eu escrever é porque não quero esquecer e quero compartilhar com alguém (mesmo que este alguém seja ninguém), e não porque quero que alguém leia e bata punheta, ok?

É lógico que se algum leitor tiver curiosidade e pedir para eu postar alguma situação, vou postar com o maior prazer…  mas os dias que tenho tempo para ficar no computador escrevendo para o blog são os dias que estou “puta da cara” e não fui trabalhar, desta forma, pode imaginar que nestes dias eu apenas Grito pelo blog.

Então esta sou eu, e se você não gostou pode fechar a página.

Beijos e tchau.

Putas em Curitiba

Hoje cheguei em Curitiba e procurei algumas casas para começar as pesquisas de preço e etc. Os preços nessa cidade são bem mais baixos comparando com São Paulo.

Achei a Sexy que fica no centro de Curitiba, e foi a que mais me atraiu, pois pelo que me parece os preços giram entre R$ 250,00 e R$ 300,00.  Achei mais algumas, mas na maioria o programa é em média R$ 150,00.  A Casa Nova tem os valores de R$200,00. Também seria outra opção…

Conheci uma vez uma casa LINDA que ficava próximo à Av. Kennedy (rua transversal, quase em frente ao extra), à uns 2 anos atrás, mas dizem que virou casa de swing. Lá os valores eram maiores em relação às outras casas… vou me informar melhor e posto aqui novamente.

Beijos

Ô Vício!

Meus amigos, não tenho atualizado o blog pois estou trabalhando como uma louca. Hoje, domingo, iria descansar mas minha consciência pesa quando não vou trabalhar, por isso, lá vou eu.

Estou em fase de transição e tentando aumentar meus preços, por isso o trabalho árduo. Segue a última atualização, preços os quais estou trabalhando desde segunda feira.

Preços de segunda feira: 200 a 250 reais na casa antiga/ 300 a 500 na casa nova

Preços de terça a sábado: 250 a 450 na casa antiga/ 300 a 1.000 na casa nova

Preços de domingo: 200 a 250 na casa antiga. A casa nova não abre.

Preços para saída qualquer dia: 1.000 casa antiga para o período de 4 horas/ 1.000 casa nova para o período de 1 hora, 1.500 reais para o período de 4 horas/ 1.000 o dia de domingo para passeio.

Um beijão à todos

KS

Tudo isso junto!!!

Estou em um momento bem difícil pra mim… quero parar de trabalhar com isso, mas preciso me preparar psicologicamente. É muito difícil aceitar que vou parar e NUNCA MAIS VOLTAR.

Só vou embora para minha cidade quando tiver certeza disso, mas ter essa certeza é complicado, pois na primeira “dor de barriga” a coisa que eu penso é: Puxa, com 1 programa eu posso pagar ” – Se torna um círculo vicioso… é muito difícil!!

Gostaria de conseguir ver o dinheiro da forma que muita gente vê; gostaria de poder me contentar com o que eu tenho e ter a sensação de felicidade, mas esta sensação eu só tenho quando estou em uma fase boa, em uma casa boa, com meu namorado e meu filho comendo e vivendo coisas boas, vestindo uma roupa boa, passando o fim de semana curtindo um bom cinema ou teatro – TUDO ISSO JUNTO, pois se um dos itens faltar, a sensação de felicidade falta junto.

Sou exigente e perfeccionista, sofro muito com isso. Se uma parede da minha casa está manchada, o cômodo inteiro tem que ser pintado. Se eu não estiver com minhas unhas feitas; cabelo hidratado, escovado e bem tingido; depilada; com uma bela roupa; com a sobrancelha feita; com a pele limpa – TUDO ISSO JUNTO – não me sinto bonita e apresentável o suficiente para ir em qualquer lugar.

Se meu filho não estiver na melhor escola, tendo as melhores coisas, a melhor educação, me sinto como se não fosse uma boa mãe, pois acho que tenho o dever de dar isso a ele para que seja alguém. E para ter o TUDO ISSO JUNTO, haja dinheiro… eu invejo (inveja branca) quem consegue ser feliz sem o TUDO ISSO JUNTO. Não sei qual parte pulei da minha vida, a parte que deveria aprender a viver com pouco e ser feliz… acho que preciso de um psicólogo para me ajudar a entender isso.

Ontem me falaram que o mundo é capitalista, e que o que sinto é normal, mas preciso aprender a conviver com este “normal” sem que isso me faça mal.

Se alguém tiver uma visão diferente gostaria muito que postasse aqui. Seria muito importante para mim. KS

AFFFFF, SOU PUTA!

Estes dias lembrava da minha primeira vez como garota de programa. Não lembro muito bem na verdade, pois tenho o costume de tentar esquecer as coisas que considero ruins, então vou contar o pouco que lembro.

Aos 16 anos, havia muita cobrança de minha família em relação à emprego, e todas as vezes que pegava o jornal à procura, encontrava os anúncios “Precisa-se de garotas, moças, massagistas, salário R$ 2.500,00”. Sempre achei que deveria ser legal ser garota de programa, pelo que eu via nos filmes e novelas, ganhar muito dinheiro para ser desejada, para dar “prazer” a um homem… prazer este o qual eu não tinha nem idéia do que seria, pois era virgem ainda. Até o dia o qual perdi a tal virgindade com uma pessoa que me tratou como uma prostituta… foi direto ao ponto e no final falou: “o ônibus para você voltar para casa passa ali em frente”.

Porém estes não foram os principais motivos para procurar a prostituição. Sempre me achei uma menina feia, e hoje acho que na época também buscava auto-afirmação pois não tinha a estima muito alta. Sempre fui uma garota muito quieta, sem muitos amigos, e não me via sendo paquerada pelos garotos (hoje penso que não era por não ser bonita, mas sim pela timidez).

A curiosidade me fez ir até um destes anúncios, e assim cheguei no apartamento luxuoso onde se encontrava a “agenciadora” suas garotas e sua família, inclusive 3 meninas de 3,4 e 6 anos, suas filhas que conviviam em meio à prostituição. Entrei,e após meia dúzia de palavras pediu para que eu vestisse outra roupa pois teria um cliente. Comentei ser menor de idade, porém isso não mudou nada. Pedi para ir embora pois nunca tinha feito aquilo, e veio a proposta: -“ Vou lhe dar R$ 800,00 por 1 hora de programa. Você tem certeza que vai recusar isso? Vai ser só uma hora querida, e vai ser muito fácil!”

Pensei um pouco, sem saber bem o que estava fazendo aceitei a proposta. Em seguida veio a informação: “Vou te vender como virgem, então finja, grite, faça ceninha para ter relações em um bom motel, fale pouco e se faça de tímida.” Me entregou uma pomada e pediu água quente: “Para fechar a buceta… você toma banho, joga água bem quente e em seguida passa a pomada. Fica com ela até a hora de chegar no cliente, lá pede para ir ao banheiro e tira, entendeu?”

Chegando ao cliente, em um boteco, com um gordo careca e fedido, pediu pra me ver antes de confirmar se eu ficaria. Pegou nos meus seios e perguntou se eu era virgem mesmo. Respondi que sim e ele me pediu para ficar, trancando a porta e já tirando a roupa. Pedi para que me levasse a um motel, pois a agenciadora havia prometido uma primeira vez em um bom lugar. Ele disse que não, que faríamos ali mesmo, e me colocou em cima da mesa de bilhar. Eu fiquei quieta, e nem olhava mais para ele, até que resolveu colocar a roupa para irmos para um motel.

Chegamos em um motel, nestes que custam 15, 20 reais a hora. Ele pagou um pouco a mais pois eu havia “esquecido” a identidade. E ao entrar no quarto ele arrancou minha roupa, colocou a camisinha e fez o q tinha que fazer. Eu só fechei os olhos e deixei. Não sabia como agir…não sabia a hora certa de gemer ou de gritar, na verdade preferi nem pensar nisso, só queria ficar quieta e que passasse logo. Mesmo que eu quisesse gemer não conseguiria, pois não conseguia sentir quando seu pênis estava dentro ou fora(hoje sei que foi o menor pênis que já vi na minha vida, duro estava menor do que meu mindinho, e sua barriga mal o deixava encostar em mim).

Um pouco antes de gozar tirou a camisinha e gozou dentro de mim. Eu não senti quando ele tirou… devido ao tamanho dele e à minha inexperiência talvez, mas quando vi me senti muito mal e reclamei. Ele disse: -“Viu, você nem sentiu a diferença de tão arregaçada que está, não é virgem nem aqui nem na China! Não vou pagar o combinado pois pedi uma virgem!” Pediu para chamarem a agenciadora vir me buscar e foi embora. Esta foi minha segunda experiência sexual.

Ao chegar, a agenciadora perguntou o que eu havia feito de errado. Brigou comigo dizendo que deveria ouvir o que ela disse, pois não haveria erro. Deu-me os R$ 800,00 (acho que para eu não querer ir embora), pediu para que eu me arrumasse dentro do carro e passasse a pomada pois tinha mais um cliente.

Mais uma vez fiquei bastante assustada, mal havia me recuperado de um e já ia para outro?

Chegando lá, um gordinho simpático que trabalhava com informática me pediu para sentasse no sofá. Alí sentei e fiquei, olhando para ele sem saber o que fazer primeiro. Ele perguntou a minha idade, e eu respondi que tinha 18 anos… “Você tem certeza?” – Perguntou. Afirmei que sim, e ele me puxou para o quarto.

Tudo começou e perguntei se ele não ia colocar camisinha. Ele insistiu um pouco sem, e pedi novamente. Ele pediu para que eu pegasse, mas eu não carregava camisinhas. Pediu para que eu fizesse oral já que não havia preservativo, e perguntei se ele tinha aqueles plásticos de enrolar carne na geladeira, então eu enrolaria no seu pênis para fazer o oral (vi algum comentário sobre isso na televisão uma vez, só não sabia se falava do plástico certo). Ele riu e falou que não, colocando seu pênis na minha boca. Achei aquilo extremamente nojento, mas deixei minha boca aberta pra ele ficar colocando aquilo lá.

Acho que ele desistiu de mim… Parou o que fazia e perguntou se eu queria tomar um banho para ir embora. Nossa, já? – Pensei, imaginando que aquele tinha sido bem mais fácil do que o outro, mesmo sendo um pouco mais nojento.

Neste dia quando cheguei em casa, me tranquei no quarto e chorei bastante. Disse aos meus pais que passava mal no dia seguinte para não precisar ir para a escola, e passei 2 dias trancada no meu quarto chorando e pensando no que eu estava fazendo. Olhava todo aquele dinheiro e não tinha nem idéia do que deveria fazer com ele. Não poderia mostrar aos meus pais, não tinha conta em banco, não poderia comprar nada caro… até que depois de 2 dias resolvi ir até uma rua famosa de sapatos para comprar uma bota cano alto, que sempre tive vontade de comprar mas meus pais não deixavam. O resto do dinheiro guardei.

Eu sei o quanto essa minha atitude, de buscar conhecer este mundo, mudou o rumo da minha vida. Mas também tenho certeza que não tinha discernimento o suficiente para saber onde estava entrando.

Tenho certeza que, se não houvesse tantas discussões e cobranças, se houvesse diálogo ou abertura para algum em minha casa eu não teria ido a um lugar de prostituição ou retornado. Não sabia o quanto ter ido até lá me deixaria impotente em relação a muitas coisas que aconteceriam no futuro, por culpa ou frustração por ver todas as minhas amigas se formando, com algum caminho traçado e eu… virando puta. KS

Minha Casa, Minha Vida

striper

E agora, acabou o Carnaval…

Onde estavam as GP’s durante o carnaval?

Estavam em suas cidades, aproveitando as festas com os amigos e famílias; estavam infiltradas nas grandes festas ganhando muuuuito dinheiro; estavam desfilando nas escolas de samba… os convites são inúmeros;  ou estavam com as outras poucas garotas que resistiram ao vazio das Casas de prostituição de São Paulo.

Minha casa atual, de onde escrevo neste carnaval, é em São Paulo, apenas atravesso a rua para chegar na boate em que trabalho atualmente, a X. A primeira vez que estive nesta boate há 3 anos o susto foi imenso. Disseram existir uma pensão para meninas que trabalham na casa, e que por R$ 240,00 ao mês poderia me hospedar nela.

Ao chegar percebi que realmente estava no Centro da prostituição!!! Uma portinha discreta, que chegava a um barracão imenso, com quase 100 quartos onde cabiam 1 cama de solteiro ou beliche e 1 pequena cômoda geralmente quebrada. As portas eram trancadas com cadeados que as próprias meninas compravam, o que de nada adiantava pois para entrar no quarto bastava pular a divisória. Algumas vezes encontrávamos 2 ou até 3 meninas por quarto…o lugar era extremamente sujo, com baratas e aranhas por todos os lados. O banheiro era coletivo, e o lugar era chamado carinhosamente de Carandiru.

O horário de silêncio era entre 10 da noite até 14 horas do dia seguinte, mas era inevitável escutar as garotas bêbadas chegando e batendo as portas, ouvir gemidos de tesão do sexo entre elas, ouvi-las organizar os “baratos” para fumar a última maconha da noite ou cheirar até o ultimo pó acabar.

Então me vi alí, e pensei muito em voltar para a casa, mas já não podia voltar atrás. Já havia me comprometido com o aluguel da pensão e não tinha dinheiro para pagar. O único jeito era trabalhar.Então me arrumei, coloquei meu melhor vestido, pedi a Deus proteção e fui conhecer a Casa.

Ao chegar, fui recepcionada pela gerente, ex-garota de programa que arrumou um namorado que não a deixava mais trabalhar. Ao entrar na casa me surpreendi ao ver todas aquelas meninas descabeladas, mal vestidas, fedidas, que andavam peladas pelo Carandiru agora absolutamente fabulosas. Muito ao contrário do Carandiru, a casa era linda, glamurosa e realmente correspondia às expectativas por ser uma das melhores casas de prostituição de São Paulo.

Com bastante receio sentei em um dos camarotes à espera de meu primeiro cliente e com a expectativa de realmente conseguir dinheiro, deveria pagar a pensão. A gerente havia comentado que eu era muito bonita, e que no primeiro dia já conseguiria pelo menos R$ 1000,00 pois a casa não tinha participação sobre o valor do programa. Achei um absurdo, uma mentira, pois como conseguir tanto dinheiro em 1 só dia?!

Enfim chegou um grande grupo de empresários onde fui apresentada, e um deles pediu para que eu ficasse…perguntou por que eu estava ali e começamos a conversar. Com ele foi meu primeiro programa, e lembro somente que meu primeiro programa na casa foi com uma pessoa muito agradável, e nada a mais. Sinto falta da forma educada, querida que me tratou e só isso.

Neste dia ganhei mais do que mil reais, e fiquei absolutamente entusiasmada….a partir disto, poderia facilmente suportar o Carandiru.

Encontrei mais uma reportagem sobre garotas de programa, com depoimentos sobre a profissão.

Alana, 20 anos, prostituta há seis meses no Rio de Janeiro, cobra R$ 400 e faz cerca de quatro programas por dia, de uma hora cada
“Comecei a fazer programa há seis meses. Antes, eu trabalhava como babá e no meu último emprego ganhava R$ 400 por mês. Hoje, ganho R$ 1.600 por dia. Estava desempregada há mais ou menos um ano e lendo os classificados de emprego acabei parando na parte de garotas de programa. Vi que elas ganhavam em uma hora o que eu levava um mês para receber, aturando patrão. Procurei uma agência, fui entrevistada e no mesmo dia comecei a trabalhar. O primeiro homem já estava lá me esperando, um coroa que devia ter uns 50 anos. A dona fez questão de dizer que era a minha estréia em programa. Deu nojo, queria que acabasse logo. Faço programas principalmente na Barra da Tijuca (bairro nobre do Rio). Geralmente os homens, em sua maioria casados, marcam em motéis, poucos são em casa. Quando eu comecei tinha namorado, mas com o tempo fui tomando nojo de homem. Eles são todos iguais: traem as mulheres. Tem cara que chega no motel e liga para a mulher todo cheio de amorzinho. Dizem que sair com prostituta não é traição, mas eu acho que é. Sempre que eu saio para um programa eu sinto uma angústia, um medo de não voltar mais, de encontrar alguém violento, que não queira pagar. Antes eu trabalhava com agência, mas agora faço tudo sozinha, me exponho mais. Não tive muita chance na vida, fiz o Segundo Grau, mas quero mudar. Não sei bem o que eu quero da vida, mas o que eu não quero eu sei: não quero continuar fazendo programa. Tenho clientes fixos, que aparecem toda semana, com a mesma história. Já recebi propostas de casamento, mas eu não aceito, porque eu sei que o cara vai se casar comigo numa semana e na outra estará na cama com prostituta. Já ganhei uma moto de um cliente, que eu vendi. Em pouco tempo, eu consegui pagar todas as minhas contas e comprar computador, roupa, celular da moda, tudo. O difícil de largar essa vida é se conformar em trabalhar depois para ganhar uma mixaria. Minha mãe sabe o que eu faço, só ela. Eu tive uma briga com uma das meninas da agência e ela de vingança ligou para a minha mãe e contou tudo. Minha mãe é evangélica, conservadora, mas ententeu o meu lado. Ela sabe que não gosto mas já viu que por enquanto não tem jeito. Uma coisa estranha que aconteceu é que hoje eu perdi a vontade de fazer sexo. Não tenho mesmo. Acho que é mentira de quem diz que gosta, mas a gente finge para o cliente ficar satisfeito. Não tem como você gostar de uma coisa que envolve dinheiro, você sabe que está se vendendo. De vez em quando eu fico deprimida e aí vou ao shopping e compro algumas coisas para esquecer. Vestido de roupa de marca de R$ 400 e penso: isso só me custou uma hora de trabalho. Meu sonho é andar pela rua como uma pessoa normal, saber que eu sou normal, que eu trabalho em algo normal. Hoje em dia, quando eu ando por aí, eu fico pensando que as pessoas olham para mim e pensam: essa mulher é prostituta. Me visto normalmente, sou discreta, até porque às vezes eu tenho que ir à casa dos clientes. Mas, para mim, está escrito na minha testa: sou prostituta.”

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1118727-1655-1,00.html

Uma coisa muito comum entre as garotas de programa que dão entrevista, é informar o valor que ganham por hora, e dizer a quantidade de programas que fazem por dia. A questão é que isso não é estável, não é uma rotina. Então este falso calculo não pode ser considerado, pois conheço meninas lindas que cobram um valor mais baixo por hora, e que mesmo assim passam alguns dias sem conseguir programa.

Outro fato muito comum é o de que grande parte das garotas acabam deixando de gostar de sexo. Tudo torna-se mecânico, aquele tesão que se tem quando vê um pau duro já não existe mais depois de algum tempo. Não digo que não existem garotas que gostam realmente de sexo, mas vejo todos os dias que a grande maioria não é assim.

Também existe a desilusão: relacionamento. Achar que todos os homens são todos iguais, que todos os homens traem, que não existe o “príncipe encantado” … se uma mulher entra em um relacionamento pensando desta forma, não consegue se doar, se envolver o suficiente para se sentir feliz. Por este motivo também, grande parte das GP acabam partindo para o lesbianismo, com esta visão dos homens, acabam projetando o lado positivo em outra mulher, que é sensível como ela, pensa como ela,  e supostamente não trairia como um homem.

Para uma garota de programa, tão difícil quanto entrar neste vida é mudar ela se relacionando com alguém que tire seus pré-conceitos, uma vez que é o lado da traição que ela vive todos os dias… é difícil se entregar ao outro lado.

SAIA DESSA VIDA?!?!?!?!?!


Imagino que, quem lê o nome deste blog pode pensar em um primeiro momento que quem escreve é  alguém que deseja converter todas as prostitutas à vida decente novamente…kkkk

Hoje achei uma música com o nome desse blog. Mais uma coincidência.

Na verdade essa frase é uma das que mais escuto no meu trabalho: “SAIA DESSA VIDA”; essa vida não  é pra você; você não tem cara de puta; você não deveria estar aqui. E sempre acho muito engraçado e penso comigo mesma… mas será que essa vida é para alguém?  E se eu tivesse cara de puta não teria problema estar aqui? E quem deveria estar aqui no meu lugar?

O que sempre escuto é que sou uma menina de mais ou menos 20 anos, com jeito de quem foi muito bem educada, que está tentando se encontrar, que provavelmente tenha tido problemas familiares. Uma moça muito parecida com a Kelly key, ou com a Luiza Brunet quando mais nova… uma moça “com quem eu andaria de mãos dadas no shopping”. E mais uma vez penso: “Aproveite, por 350 reais esta hora eu sou o que você quiser”.

Acho engraçada a forma que as pessoas falam “Saia dessa vida” como se isso fosse uma opção válida para mim, como se fosse fácil, e não apenas pelo costume de ganhar muito dinheiro. Se esta fosse uma opção que me deixasse em paz, em minha cidade com meu filho e minha família, provavelmente escolheria ela. Mas é muito difícil voltar e perceber que não consegui ser alguém (por inúmeros motivos) e ainda não vou poder dar isso para meu filho, ou um certo orgulho para minha família por não poder ajudá-los financeiramente depois do que já tentaram fazer por mim.

Enfim, a frase fatídica martela minha cabeça e de muitas garotas de programa pelo que ouço… então, apesar de relatar e mostrar todas as faces da prostituição no Brasil, com esta frase afirmo que não apóio a prostituição, e desejo à todas as garotas que alcancem seus objetivos e SAIAM DESSA VIDA! KS

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